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O casal de passarinhos...
Quando eu era aborrescente, tinha um casal de passarinhos. Hoje em dia, acho uma maldade essa coisa de manter passarinho em gaiola, mas na época não tinha muita consciência disso. Era um casal lindo. Eram casados há alguns anos, tinham gaiola “pópria” e estavam quase parindo sua primeira ninhada. Até aí tudo bem. Acontece que o meu pai adorava tomar umas. E quando eu digo que ele adorava é porque ele gostava mesmo do babado. Ele gostava “de com força” e se dedicava pra valer. Nesse momento, pode-se passar pela cabeça de alguém que ele tenha comido os passarinhos fritos, como tira-gosto, mas não foi isso o que aconteceu... Em um não tão belo dia, o papi chegou a nossa casa trolado, e nessa trola toda ele confundiu a gaiola com uma bola de basquete e aremessou-a beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeem longe. Foi horrível. Eu cheguei ao local do crime minutos depois, olhei para a parede, onde ficava a gaiola, e nada vi. Olhei para o chão e lá estava a gaiola toda esculhambada, com alguns ovos quebrados e apenas um inteiro. O passarinho fugiu (talvez ele tenha combinado alguma coisa com o meu pai no sentido de se libertar da vida de casado) e a passara ficou lá, desconsolada, olhando seus ovinhos quebrados. Eu, desesperada, recolhi a gaiola, e o único ovo que se safou do acidente. O problema é que esta criatura sem noção, com o intuito de saber se o pássaro filho estava bem, com os olhos cheios de lágrimas e desespero, chacoalhou bem forte o ovinho pensando que se o pobre pinto estivesse bem certamente emitiria algum sinal de vida. Minha irmã, nessa hora, entrou em êxtase e se acabou de dar risadas. Quase morreu de rir porque transformei em omelete o único sobrevivente da tragédia.
O gatinho perdido na rua ...
Num dia desses, do tipo normal, de volta para casa depois de um longo e nada árduo dia de trabalho, eu estava a caminho da minha residência quando apareceram três gatinhos no meio da pista. Eu estava a uns dez metros da pista e pequei por falta de atitude. Um dos gatinhos estava no meio da rua e um carro sinalizava que entraria na avenida. Eu me aproximei. O carro, por um instante freou. E eu fiquei parada, sem ação, num momento em que tudo o que eu tinha que fazer seria pegar o gatinho e colocá-lo em lugar seguro. Não agi. Não me mexi. E o gato partiu dessa para o céu dos gatos. Eu matei aquele gatinho. :(.
Em primeiro lugar, eu gostaria de agradecer aos macacos. Isso mesmo. Aos macacos o meu muito obrigada, pois se essa história de evolução de macaco a homem existir mesmo, acredito que isso deve ser obra de alguma entidade macaconica superior. Em segundo lugar, ao inventor do secador de cabelos. Cara, muita luz para você (estranho isso, né? Em vez de sucesso, amor, sexo, dinheiro, cana, desejar luz para alguém...). Em terceiro lugar, o meu “valeu cara” para o filho da puta que começou com essa história de arrancar pêlo com cera. Isso me ajudou a recuperar a dignidade, pois mulher com bigode e sobrancelha de taturana ninguém merece. Em quarto lugar à Escola Técnica de Brasília que ocupou minhas tardes de segunda a sexta feira durante dois anos e reduziu drasticamente o meu tempo de exposição ao sol (nessa época, como se não bastasse a bagaceira, minha cabeça, braços e pernas eram bem morenos e o tronco pálido, desbotado).
(ô bichinha feia!)
Obrigada por terem me transformado num ser humano!
Ps. eu tinha colocado as fotos comparativas (macaco-mulher), mas fiquei com medo de alguma revista estrangeira divulgá-las mundialmente junto com as fotos do bumbum da Britney Spears...