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Entre os piores medos que perturbam a minha mente insana, o top dos tops é o medo de falar em público. É um medo totalmente irracional que me transforma no ser mais pastelão de todos. Os professores da UnB aderiram à moda de exigirem seminários em que o apresentador somente é sorteado no dia da apresentação. Levando-se em conta todo o meu histórico de falta de sorte, não é surpresa que eu sempre seja sorteada para apresentar. Na última experiência, entre oito participantes, o infeliz sorteou o meu bendito nome. “ELAINE!!!”. A chance de não ser sorteada era de 87,5%. E esse foi o tamanho do meu azar. Sem chance alguma de entrar com recurso pelo resultado do maldito sorteio, e após a tentativa inútil de realizar auditoria nos papéis utilizados, o maldito aparelho data show que não queria ligar nem com a porra, ligou e funcionou como nunca, a todo vapor. A apresentação era grande. Mais de vinte slides. Foi o pastelão mais longo que eu fiz na minha vida. Uma apresentação ridícula. Suei muito e fiquei fedendo que nem gambá. Talvez se eu tivesse colocado um saco na cabeça e começado a dançar a música da Gretchen a vergonha teria sido menor.
Hoje vai ter apresentação e o tal sorteio novamente. Com oito horas de antecedência já estou sofrendo, porque sei que as leis do universo conspirarão para que eu seja sorteada mais uma vez. As mãos estão um gelo. O coração, acelerado. A suadeira e a tremedeira nas pernas estão agendadas para o início da apresentação, com força total. Um colega meu, que hoje é professor, disse-me que sofria do mesmo mal. A cura para o problema foi nada mais, nada menos, do que um traçado antes de cada aula. Ficava desinibido que era uma beleza. . .
Gente, rezem-orem-torçam por mim!