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Hoje eu vou viajar. O destino é Natal. Vou descobrir hoje se tenho medo de viajar de avião ou não. Amanhã vou descobrir se praia é mesmo tão bom o quanto dizem. Meu pai ainda está bufando de ciúmes de mim, porque dessa vez não houve camuflagem da verdade, nem pequenas alterações da realidade. Eu, como mulher madura que sou falei a real: “Vou com o princeso.” Falei isso e, imediatamente, entrei no meu quarto. Fiquei atrás de um escudo de chumbo esperando a explosão. No dia seguinte, fingi que estava tudo bem. É nessas situações que a presença de pênis faz toda a diferença. Eu não vejo pai nenhum implicando com o filho porque vai viajar com a namorada. Não vejo mesmo. Mas tenho consciência de que a minha alforria eu vou conquistando aos poucos, com muita cara de pau.
Voltando a minha viagem, estou me sentindo tããããããoooo ansiosa. Foram tantos preparativos, tantas etapas...
Etapa principal – Domando o cabelo
Fiz escova de chocolate. Nossa, mulher se submete a tudo para ficar com a aparência menos medonha. O produto é forte demais e por um instante imaginei que fosse sofrer seqüelas irreparáveis no pulmão, cérebro e olhos. Não é à toa que aquilo conserva defunto. Eu não imaginei que fosse assim.... Eu pensei que fosse apenas um cheiro enjoativo de chocolate e pronto. Não sabia que tinha formol na fórmula. Juro. Mesmo porque não sou piolha de salão de beleza e não tenho o mínimo conhecimento sobre a composição dessas técnicas capilares revolucionárias. O resultado foi muito bom. Meu cabelo que é enrolado e meio volumoso está quietinho, na dele. Dopado. Muito menos anelado e o volume diminuiu uns 70%.
Segunda etapa – Empréstimo consignado para viajar
Já é sabido que eu não sou uma mulher econômica. Juntando isso ao fato de que não sou muito bem remunerada (afinal, nenhuma mulher ousaria dizer que ganha dinheiro o suficiente) então fui a uma dessas instituições financeiras que oferecem crédito fácil, fácil a juros baixos e peguei dinheiro suficiente para suprir minhas necessidades básicas: comida e cachaça.
Terceira etapa – a arrumação da mala
Na minha mala não cabe mais uma agulha. Enfiei tanta coisa dentro dela que ela está meio estufada. E olhe que eu nem coloquei dentro dela a garrafa de vinho que eu queria levar. Talvez eu arrume uma outra mala e leve duas. Melhor sobrar do que faltar...
Traumas passados...
No carnaval de 2001 eu viajei com uma amiga para uma cidadezinha da Bahia. Foi horrível. As instalações eram precárias. Era tipo um albergue. Traumatizante. Os poucos momentos menos desagradáveis que passei eu obtive com o auxílio de uma tal de catuaba selvagem. A gente dormia em uns colchonetes imundos com um montão de gente cutucando. O pico da ruindade daquele carnaval aconteceu quando uma das integrantes da excursão bebeu tanto que acabou fazendo as suas necessidades no chão do albergue onde estávamos instaladas. Aí eu explodi. Não teve jeito. Mandei aquela criatura imunda limpar toda a sujeira que havia feito no nosso albergue. “Sou pobre, mas sou limpinha!”. Ela limpou tudo, mas me chamou de fresca. Fresca. Realmente. É muita frescura não querer dormir sobre os dejetos daquela cadela. Eu devia mesmo é ter sentado a mão na cara dela. Aí sim ela veria o quanto a fresca tem a mão pesada.
Na excursão, tinha um cara que levou uma mala bem grande. Certo dia ele a abriu e nos revelou o conteúdo. Dentro da mala tinha umas duas cuecas, um short, uma camiseta e o restante do espaço ele preencheu com muita, muita cachaça. Foi aí que surgiu a idéia de levar uma garrafa de vinho na minha mala.
A única lembrança agradável que eu tenho daquele carnaval durou poucos minutos. Eu estava sentada num meio fio na frente do albergue e começou a tocar London London. O céu estava lindo, todo estrelado.
A música acabou e nem sei o que eu fiz depois. Devo ter ido procurar catuaba pra beber...
Depois desse carnaval nunca mais aceitei viajar para lugar nenhum. Exceto em 2005, quando o princeso me chamou para ir para Pirenópolis e ficamos abrigados na casa da Bruxa de Blair...
Li o livro porque me disseram que era ótimo, maravilhoso.
Tem seus pontos positivos, mas acho que houve um exagero da parte do autor ao finalizar a obra. Imaginem: um menino ficou órfão, foi abusado sexualmente por uns caras muito brutos, era maquiado como uma bonequinha, carregava sininhos nos pés, dançava como um macaco de circo, tenta suicidar no final ... Só faltou cair um meteoro na cabeça do pobrezinho ou levar um tombo e ficar tetraplégico e cego.
Miséria pouca pra ti é bobagem hein, Sr Khaled Hosseini. Me poupe.

No meu trabalho tem duas mulheres grávidas. Olhar para elas me faz refletir muito sobre o assunto. Fiquei mais uma vez me imaginando como mãe.
Se serei uma mãe do tipo tão permissiva que quando o menino aprender o significado das palavras macaco e galho vai falar para o menino “aqui, o esquema é o seguinte, filhão: cada macaco no seu galho. Tem dinheiro ali naquela gaveta e comida na geladeira.”
Ou serei uma mãe super controladora daquelas que pagam espiões na escola para vigiarem seus filhos?
Na minha família há relato de uma criança que foi submetida a um regime de super proteção tão intenso que, mesmo tendo 20 anos atualmente, a menina, que tem peitão e tudo, age como uma criancinha de 11.
Será que adotarei o regime “Havaianas de pau”? Ou serei uma mamãe que resolve os problemas conversando?
Depois de ter que suportar enxaquecas horríveis (a iquizira do ano de 2006) que enfureciam o meu chefe devido aos meus sucessivos atestados médicos, surgiu recentemente a iquizira do ano de 2007. Estava eu pronta para iniciar a realização de um dos meus projetos para 2007 (“Agora vai”, eu pensei) montei na bicicleta ergométrica, toda faceira, crente que logo logo ia ficar com o bumbum dourado e deixar de ser sedentária, pedalei durante 15 minutos e no dia seguinte acordei com uma dor na coluna deliciosa. Fui ao ortopedista, ele disse que eu sou torta e que, provavelmente estou com escoliose na coluna. Disse também que era para suspender a atividade física que eu havia iniciado no dia anterior. A única vantagem que eu obtive por estar com essa dor é que já faz um tempo bem razoável que eu não pego num cabo de vassoura para “barrer” a casa. Dor na coluna é um dos tipos de dores mais fela da puta que existe. Tirando a dor, tem o aspecto da estética também. Já pensou se eu ficar empenada? Logo eu que acho ridículo mulher alta com postura errada, to andando que nem uma pata choca.
Por falar em pata choca, a Uorlllllldiiiii tem mania de competir comigo quando o assunto é iquizira. Se eu falo que já tive úlcera, ela diz que vomitava sangue, se eu digo que já tive enxaqueca, ela vem com uma dor inédita, a dor mais dolorida do mundo. Eu é que não quero ganhar essa competição...