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Na época da adolescência meu corpo foi alvo de inúmeras transformações (acho que o de vocês também). O início do processo foi meio traumático, pois eu tinha vergonha dos seios, dos pêlos, das pernas que estavam engrossando, da minha altura, enfim, vergonha de mim. Superada a fase de adaptação a todas esses acontecimentos deparo com um novo ciclo de mudanças. Considero que esse novo ciclo é diferente: é cruel, maligno. Sei que sou um tanto desligada e é possível que essas mudanças estejam acontecendo em meu corpo há anos e posso não ter percebido, mas depois que completei 25 anos a coisa ficou muito descarada e tô começando a ficar com medo. O primeiro sinal foi que engordei. Achei até legal, pois me achava magra demais e ganhar uns quilinhos para preencher a carapaça de osso não foi tão ruim assim. Mas a última mudança que percebi não foi tão bem vinda quanto a anterior. Sendo bem direta, é o seguinte: tô criando bucho. E tô sentindo que esse bucho está com a intenção de se instalar definitivamente no meu corpo. Eu acordo e vou dormir com ele. Antigamente não era assim. Eu dormia com bucho e, durante a noite o bucho sumia, então eu acordava sem bucho.
Essa história toda de bucho fez-me refletir sobre algo mais profundo. . .Acho que a vida é meio ingrata. As melhores coisas da vida são regradas e se você excede o nivel permitido de apreciação das mesmas você paga um alto preço. Eu sei muito bem qual a mensagem que esse bucho está tentando me transmitir. Já captei, entendi. “- Você pensa que pode tudo, né??? Toma!”
(...)
Quando se é jovem você não tem maturidade para otimizar a utilização dos seus recursos. Você tem força, tem a graça da juventude, mas não sabe o que fazer com tudo isso. Então, você amadurece com o passar do tempo. Mas quando você chega no nível ótimo de amadurecimento, você começa a fazer xixi na calça e chega a hora de morrer. TCHAN!