//Lugares favoritos
- Pessoa em fuga//Lendo
Porra nenhuma
//Com mania de falar:
"Talk seriously!" "you understand if you want!"
//Lombras passadas
//Contador

*Saudade de quando a família se reunia para rezar e um de nós começava a rir sem parar e, no final até meu pai que era austero se acabava de rir.
*Saudade de pular amarelinha na rua e de brincar de caracol.
*Saudade de ser a caçula pegajosa que grudava na irmã mais velha e não a deixava em paz.
*Saudade de pedir a bênção da vó e receber um abraço meigo e cheiroso e do vô esfregando a barba áspera no rosto.
*Saudade da felicidade que sentia quando levava coca-cola com pão de queijo para lanchar na escola.
*Saudade da Daniela que me convidava para brincar em sua casa e lá me trancava para que eu não fosse embora (eu sempre tinha que pular o portão).
*Saudade de quando o meu pai assoprava a minha barriga e fazia cafuné no cabelo.
*Saudade de brincar com a Kétila a melhor amiga dos últimos anos da minha infância.
*Saudade da Izabel que dividia o monte de brinquedos que tinha com os amiguinhos.
*Saudade de quando eu ia às festinhas e sempre me preocupava em pegar bolo e docinhos para a minha mãe.
*Saudade da Deninha que, às vezes levava água para lanchar na escola.
*Saudade da Késia, a amiga mais mentirosa (criativa) que eu tinha.
*Saudade de quando o meu pai conseguia me carregar no colo (até os treze anos)
*Saudade de fingir que estava dormindo no sofá para que meu pai me levasse no colo até a cama.
*Saudade de quando a minha mãe juntava os três monstrinhos e nos contava histórias.
*Saudade do meu irmão fingindo ser tarzan e esculhambando a nossa cama todinha.
*Saudade até do medo que sentia quando eu quebrava a torneira do tanque com a bola e esperava levar uma bela coça por isso.
Gente, que deprê é essa?
Vou ali no banheiro chorar...
Sabia que de vez em quando eu fico com medo de a minha boca começar a falar certas coisas que eu só tenho coragem de pensar? Em situações como convocações para reuniões ou coleta de dinheiro para comprar presente para chefe eu fico com tanta raiva, mas tanta raiva que eu acho que um dia a minha boca vai declarar independência e simplesmente falar tudo o que tá engasgado aqui na minha garganta, há anos. Sério. Tem dia que eu xingo mentalmente com tanto ódio que parece que a minha boca tem vida própria e eu tenho que ficar lutando para segurar as palavras dentro dela.
Eu hein!