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Com essa mania de sofrer por antecedência imaginei-me tentando orientar meus filhos quanto à alimentação. Isso pode, aquilo não pode, isso não pode, aquilo pode. A seqüência dessa cena é a seguinte: eu com o olhar furtivo, acessando o meu esconderijo secreto, na prateleira mais alta do guarda roupa (um bom lugar) e me acabando de comer todas as guloseimas ultra inúteis, plenas de corantes e conservantes e que eu simplesmente adoro. . . (hummmmmmmm).
Ta muito cedo para pensar em filhos...
Alguém iludiu o indivíduo de que ele sabe cantar e que tem talento para isso (não sei se foi uma cigana, a mãe dele ou o raio que o parta). Aí o indivíduo resolveu trabalhar muito, muito e muito para juntar dinheiro e gravar seu cd. Ele vende uns produtos naturebas, colchões magnetizados que curam até feiúra, filtros que purificam coca-cola, etc, etc, etc. Depois de algum tempo, o pior aconteceu: ele conseguiu gravar o diabo do cd e determinou que a maior concentração de seus fãs estava muito, muito perto, em seu ambiente de trabalho. Aí o pesadelo começou. Ele chegava perto da vítima, retirava o plástico que envolvia o cd, autografava (isso sem que ao menos se ventilasse perguntar se a pessoa desejava ou não adquirir o cd) e, automaticamente inscrevia a pessoa na relação de devedores (R$ 15,00 cada cd). No infeliz dia da distribuição dos malditos cds, fui advertida do perigo que estava correndo, sai do departamento, fui resolver alguns probleminhas, voltei e de repente fui surpreendida por ele que já trazia o exemplar autografado “À minha amiga Ni, com todo carinho”. Ele, gentilmente, deu-nos um prazo para pagar o capeta do cd, prazo este que expirou no dia 30/11. Agora, estou com um conflito ético dentro de mim:
Parte de mim, que não compra cds há anos, que tem vivido no limite da falta de dinheiro, que é chata pra caramba pelo meu gosto musical, pensa em jogar o cd fora e quando ele vier me cobrar eu pergunto: "Ah, não era de graça não?????? Tá brincando????"
A outra parte de mim (a moça boazinha que não pode ver um idoso ou criança pedindo dinheiro no sinal que quer ajudar) pensa em pagar pelo cd e abafar o descontentamento e a raiva que sinto por estar sendo obrigada a fazer algo que não quero (o que é pior, por um estranho).
Considerando que a música é muito, mas muito ruim (diz ele que é Rock e MPB, mas parece Moranguinho do Nordeste) estou sustentando a opinião de que se eu não pagar pelo cd estarei fazendo um bem não só para mim, mas por toda a humanidade, inclusive por todos aqueles velinhos e crianças que terão seus ouvidos poupados e que nem sequer saberão da existência dos hits “Luar, luar, Luan” e “Scars and emotion”.